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A saúde das mulheres, um potencial a alcançar

A saúde das mulheres, um potencial a alcançar

A saúde das mulheres é um tema que merece atenção e reflexão, especialmente num país onde apenas 12% das mulheres têm um alto nível de saúde e bem-estar mental.


Publicado em 27 de Outubro de 2023 às 16:30
Por Grupo Ageas Portugal

A saúde é um direito humano fundamental e uma condição para o desenvolvimento sustentável. Mesmo com o progresso nas últimas décadas com novas descobertas científicas e constante evolução e otimização, existem ainda muitas disparidades e desafios que afetam a saúde e o bem-estar das mulheres em todo o mundo, provocados pelo contexto social, cultural, económico ou político, que até podem variar conforme as diferentes fases do ciclo de vida das mulheres.

De forma a contribuir para o debate e conhecimento sobre a saúde das mulheres em Portugal, a Médis realizou o estudo “A Saúde das Mulheres, um potencial a alcançar”, desenvolvido pela Return On Ideas e sob coordenação científica do Prof. Dr. Miguel Oliveira da Silva, que chegou à conclusão de que 53% das mulheres têm pelo menos uma doença diagnosticada e 21% vivem mesmo com mais de duas doenças. Em comparação, os homens ficam-se pelos 50% e 11%, respetivamente. E quando abordamos a doença mental, a diferença entre os géneros agrava-se: 16% das mulheres têm uma doença diagnosticada vs. 6% nos homens.

Estes dados confirmam o contrassenso de que, apesar de maior esperança de vida e cuidado consigo mesmas, as mulheres têm pior saúde física e mental do que os homens. Incoerência esta que foi observada em 2021, no estudo “A saúde dos Portugueses – um BI em nome próprio”, que faz também parte do Saúdes, um projeto cujo objetivo é contribuir para a produção de conhecimento, a reflexão e o debate público em torno da saúde.

Este estudo tem dois objetivos: por um lado, perceber melhor as variáveis objetivas e subjetivas que podem elucidar o diferencial de saúde entre os géneros e, por outro, compreender o que pode estar a contribuir para tão pouca ambição quando se trata da saúde e bem-estar das mulheres, especialmente entre as próprias. A intenção não é mapear a saúde das mulheres portuguesas até à data, nem compreender quaisquer desafios específicos de saúde, mas fornecer uma visão geral da saúde das mulheres ao longo da vida.

O objetivo desta abordagem é identificar as situações em que as mulheres (por serem mulheres) tendem a sentir-se mais fragilizadas, compreender os fatores que mais influenciam essas fontes de desconforto e propor espaços de atuação para melhorar o seu bem-estar.

Além do défice em relação à doença, esta investigação foca-se ainda em vários indicadores no que se refere à dor, saúde e bem-estar, e em todos os casos, as mulheres encontram-se pior do que os homens. 31% de mulheres, vs. 19% de homens, acusam dor intensa, muito intensa ou insuportável. Em muitos casos, nota-se uma normalização e aceitação da dor, em que muitas queixas de dor parecem estar a ser ignoradas e/ou indevidamente tratadas.

No que toca à avaliação do estado de saúde das mulheres, numa escala de 1 a 10, a sua classificação obtida foi de 6.8, enquanto nos homens o valor situa-se nos 7.4. Ainda sobre esta temática, 23% das mulheres consideram-se pouco saudáveis e na faixa etária dos 40+ esta percentagem sobe para os 25%, vs. 13% dos homens com a mesma idade.

No bem-estar, o desequilíbrio não se altera. Mais de metade das mulheres mostram um nível de bem-estar baixo ou muito baixo (59% das mulheres vs. 50% dos homens) e 73% afirmam sentir ansiedade.

As quatro bolsas de mal-estar e as forças propulsoras da mudança

No estudo, foram identificadas quatro bolsas de mal-estar que afetam as mulheres: menstruação, gravidez, menopausa e a relação. Embora estas bolsas de mal-estar possam ser explicadas pela biologia, fisionomia e a própria história, o estudo revela como a falta de informação, de consciência e, principalmente, a normalização do “não estar bem” pioram o problema e contribuem para a desigualdade na saúde e bem-estar que se verifica entre os géneros. “O facto de estarem sujeitas a um ciclo de vida mais acidentado (porque reprodutivo) do que os homens, não quer dizer que, necessariamente, as mulheres tenham de se acomodar ao desconforto e normalização do sofrimento, como se de uma fatalidade, de uma inevitabilidade se tratasse”, afirma o responsável científico do estudo e professor catedrático de Medicina, Dr. Miguel Oliveira da Silva.

Apesar de não existir ainda igualdade de género na relação e conhecimento da saúde e bem-estar de ambos os géneros, de os défices face aos homens serem evidentes, e de a saúde e o bem-estar das mulheres ficar genericamente aquém do que é possível e desejável, já se nota um despertar da consciência e algumas forças começam a promover a mudança. O estudo defende que graças a um maior conhecimento e consciencialização, as mulheres podem chegar a um novo paradigma na sua saúde e bem-estar, sendo este o principal ponto que se deve alterar. Via dados e conhecimento produzidos, quer-se provocar a discussão e acelerar a ação, e assim contribuir para alcançar o potencial de bem-estar ambicionado.

Sabe mais sobre o estudo Saúdes aqui: https://www.saudes.pt/